janeiro 25, 2013

Gavetas...

Como gostaria que fosse fácil arrumar o coração como arrumar gavetas.

Seria bem simples, era só jogar tudo em cima da cama, da mesa ou no chão e depois separar cuidadosamente o que vale a pena guarda e o que será descartado ou reciclado.

Depois limparia a gaveta tirando as areais do tempo e aqueles papéis que insistem em grudar bem lá no fundo.

Em seguida começaria colocando bem dobrado e organizado cada papel, roupa, cartão...

Entretanto, o coração não é desse jeito simples e fácil de arrumar e ajeitar. Não tem como você separar as pessoas e lembranças para descartá-las sem sofrer, sem sentir, sem chorar. De fato, é impossível sair ileso de uma arrumação.

Às vezes, o coração clama pra ser arrumado e sair da bagunça dessa vida, porém ele continua relutante em não esquecer, não perdoar e não deixar de amar.

Eu sempre ouvi a expressão que o coração tem várias portas, umas abertas e outras trancadas. As portas são grandes, robustas e bem visíveis. Imagina que toda vez que você passar por ali, e a ver trancada, você saberá que deixou lá, algo para esquecer.

Se pudesse escolher o coração seria como gavetas, elas são discretas, bonitas, não tem trancas e tem coisas que você deixa lá e só lembra quando vai arrumar ou procurar por algo.

Engavetei meu coração, e só vou lembrar quando realmente precisar!

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